George Ezra diz: “Meu pensamento foi, ‘que se f*da!'”

Source/Fonte: Press.

O novo álbum de George Ezra, mostra o cantor jogando a cautela pela janela. 

“Agora, bem aqui,” diz George Ezra, falando com o sotaque distinto da Louisiana. “É incríiiiiiiveeel!” Não, esta não é uma nova reviravolta chocante no próximo capítulo de sua já célebre carreira, e sim o resultado de George ter passado o fim de semana anterior ocupado, na S-Town, o venerado podcast que ganhou o público rapidamente. Este é o George Ezra em 2018, um homem que consegue balancear a altura desconcertante de seu estrelato, com a habilidade de parar por um momento, colocar a cabeça fora do redemoinho e absorver simplesmente o fato de estar vivo.

“Sabe, é tão bom estar ocupado novamente,” explica George, com um brilho em seus olhos, agora que está de volta aos trilhos e se preparando para um ano agitado. “É uma m*rda quando você não pode contribuir de alguma forma, sabe? Me sinto bem em estar fazendo “minha coisa” de novo. Alguém me disse um dia desses, eu estava promovendo [minha música] na Alemanha, e esse cara disse, ‘Você está sempre feliz. Sempre que eu te vejo, você está feliz.’ E eu fiquei tipo, amigo… Eu estou na Alemanha falando sobre música. É fantástico!”

Com os palcos enormes e milhões [de pessoas] cantando junto suas músicas do ‘Wanted On Voyage’, os anos seguintes foram uma jornada de descobrimento para George, marcados por uma agenda de turnê contínua, compromissos e aparições, e venda de mais CDs do que a maioria dos artistas mostrados nesta página, combinados. O que veio a seguir, no entanto, foi uma miríade de momentos diferentesque moldaram onde ele se mantém hoje.

“Meu maior medo no primeiro álbum era o efeito que ele teria em minha vida pessoal,” destaca George, refletindo sobre como ele se sentiu quando as coisas realmente deslancharam. “Quando você está montando um CD, tudo o que vem com isso, faz com que você tenha esse sentimento de ser uma celebridade moderada, mas você nunca fica muito tempo em um mesmo local para que isso te afete, e então você também não está em casa. 

“Isso era o que mais me preocupava, mas correu tudo bem. A questão é, você não é um criminoso,” ele ri. “Ninguém vai te puxar de lado e dizer, ‘Ei, que po*ra é essa que você tá fazendo?’ Eles irão dizer eu adoro seu trabalho, sem ter ideia de quem você seja; ou eles saberão quem você é mas não falarão com você, porque não gostam do seu trabalhoeu não tive com o que me preocupar, na verdade.”

Sair da estrada, contudo, teve seus efeitos colaterais. De repente com um caderno em branco, pela primeira vez em dois anos e pouco, ajustarse ao mundo real de novo foi um desafio. Pela primeira vez em sua vida, George experimentou um sentimento de ansiedade, ainda que ele não soubesse exatamente como descrevê-lo.

“Eu fui extremamente sortudo na minha experiência com isso, porque a detectei bem cedo e estava consciente da existência dela. Aquela combinação de não ter mais compromissos, ou um motivo, e simplesmente coisas diversas acontecendo ao meu redor, como acontece com todo mundo. Eu pensei, eu não sei o que isso é, porquê me sinto da forma que me sinto – parte de mim está, provavelmente, se acostumando com o fim da turnê e com colocar aquele primeiro álbum para dormir, mas com certeza havia algo a mais do que isso.”

É um momento que parece encapsulado em uma canção como ‘Get Away’,  um single cintilante, que ocupa lugar de destaque no novo álbum ‘Staying at Tamara’s’. ‘Nunca foi assim antes / desligado pela ansiedade / nunca foi assim antes / é melhor você fugir’ ela repete, e é exatamente o que George fez. Partir para Barcelona foi um movimento vital, e uma decisão que não apenas deu forma ao álbum vindouro, mas ao próximo passo da vida de George.

“Foi muito importante eu ter feito isso. A coisa boa sobre passar um tempo sozinho e sair da sua zona de conforto, é que você se força a pensar de uma forma que não pensaria normalmente. Você diminui a velocidade, então eu continuava tendo aventuras, mas indo mais devagar. Quando você está cercado de pessoas que conhece e ama, se sente menos presente, porque está muito confortável. Quando você está com pessoas que são novas para você e [ouve] novos sons, até mesmo coisas bobas como a moeda local, idioma e clima – isso te ajuda a ser mais consciente do que está fazendo, e isso realmente me ajudou,” explica George.

Fazendo anotações no papel, que tornaram-se composições, observações, desenhos e mais – “É um diário adolescente, uma parte com poesia, outra com nomes de canções, realidade e ficção juntas – se alguém o lesse, seria embaraçoso.” – ele escolheu viver ativamente aquelas palavras, conduzindo-se a um novo terreno, o que o levou à porta da frente de uma mulher chamada Tamara.

“No primeiro CD, eu escrevia e ficava na casa de promoters ou na de algum estudante depois que eu me apresentava, mas eu nunca fiz isso da forma correta,” relembra George, “e houve muito menos necessidade de eu fazer isso desta vez. Eu poderia ter ficado em um hotel ou apartamento, mas meu pensamento foibem, meu pensamento foi, f*da-se! Se [lá] for uma loucura no sentido ruim da palavra, eu posso ir embora, mas também pode ser maravilhoso. Mesmo se eles apenas viverem vidas normais e forem capazes de me indicar lugares que são bons para comer e os que não são, esse já será um toque especial.”

Mas foi muito melhor que isso. “Havia vinis por toda parte, e seus amigos eram músicos, artistas e designers, estavam na moda, e lá o tempo todo. Eu não sei o que é, mas há uma forma diferente de viver por lá, e isso me fez extremamente bem. Eles saíam muito e trabalhavam de segunda á sextafeira, então eu normalmente me envolvia no vinho tinto antes deles saírem,” riu George, “mas eu li muito, andei pelos arredores de dia e de noite e sei lá – você se sente seguro lá.”

Contemplar as coisas positivas do mundo e encontrar alegria em se desligar dele, é um sentimento que ecoa por todo o álbum. Vendo a vida em 2018 por uma perspectiva completamente diferente, ‘Staying At Tamara’s’ nos fornece aqueles momentos maravilhosos – encontrar um novo amor, aprender como se aceitar e sonhar com algo a mais. É um passo confiante e reforçado que George dá, levando os contos sinceros do seu debut e acendendo o pavio para uma exibição de fogos de artifício cada vez maior.

O otimismo reina supremo, seja no coletivo da alegria ‘Pretty Shining People’, no vanglória despreocupada de ‘Don’t Matter Now’, nas vibrações de pop-surf que emanam de ‘All My Love’ ou no papo-cabeça de esperança de ‘Only A Human’ – este é um álbum totalmente sobre colocar fé na pessoa que está ao seu lado. Uma declaração que George deve ter pensado do início ao fim, certo?

Uma risada reconhecível imediatamente surge. “Eu acho, eu não tinha ideia, na verdade,” ele ri. “O que eu sabia é que gostava de tocar na frente das pessoasenquanto que escrevendo o primeiro, eu não sabia realmente como era estar no palco principal e ter pessoas cantando comigo. Desta vez eu estava como, ‘Isso é bom pra c*ralho’ e eu quero isso. A energia compartilhada quandomilhares, cantando junto, em um local. Se você está na música pop, então precisa haver, ou pelo eu gosto de teresse elemento de camaradagem – [de] vamos nos unir e cantar juntos.” 

Combinando sua viagem fundamental à Barcelona com paradas em Norfolk, Cornwall e Cotswolds à diversão no estúdio de gravação, o álbum soa como se tivesse sido feito à partir do encontro de vários amigos em um espaço. “Com o primeiro CD, eu estava obsecado com sons sintéticos,” destaca George. “Tipo, mesmo com ‘Budapest’, nós fomos fundo no baixo e com ‘Did You Hear The Rainacabamos tendo um loop de didgeridoo – foi aquele momento de se soltar no estúdio pela primeira vez e ficar tipo, f*da-se, nós podemos fazer qualquer coisa. Desta vez, depois de tocar por dois anos com a banda, eu estava a fim de ter instrumentos mais tradicionais e/ou acústicos no álbum. Ainda tem alguns sons diferenteseu acho que sempre amarei isso, mas em um grau menor.”

Do início ao fim, ‘Staying At Tamara’s‘ é um álbum que sabe o que quer alcançar: que você pegue seus amigos, desconhecidos, e os puxe para perto, fazendo vocês cantarem junto mesmo se esta for sua primeira vez ouvindo-o. Pegue por exemplo ‘Hold My Girl’, uma canção que parece destinada a ser tocada várias e várias vezes em casamentos e ser repetida em rádios de todo o mundo – ela tem um sentimento caloroso e acolhedor que George capturou de suas viagens ao redor do globo. Sair da zona de conforto e se permitir tentar coisas novas, é a filosofia de vida que George segue. “Eu recomendo para todo mundo,” ele insiste. “Eu sou tão ruim [nisso] quanto os outros. Você precisa de tempo e separar um dinheiro para isso, mas é algo maravilhoso de se fazer.

Agora, com experiência em seu bolso, sabendo o que o mundo pode jogar nele mas com uma sede insaciável por fazer mais – o próximo passo de George Ezra já está sendo pensado, com diversão não-filtrada. “Todos nós funcionamos tão melhor quando temos um propósito, não importa qual seja,” nota ele. “Eu sei o que esperar agora, enquanto no primeiro álbum, tem vezes que você se sente um pouco assustado sob os holofotes; mas eu não entendo quando bandas e músicos ficam mal-humorados, eu fico tipo… você está viajando pelo mundo, cara!

“Sim, você sente falta da sua família, e perde alguns eventos da vida ás vezes – eu perdi casamentos e funerais e todo tipo de acontecimento, mas não é por nenhuma outra razão. Eu amo isso. É necessário que se tenha um balanço, mas é maravilhoso.”

Por vezes, nós não precisamos nos unir contra o mundo – mas celebrar sua beleza pura. George Ezra está fazendo questão de posicionar sua cabeça à favor da brisa, para saborear seus “absurdos”, maravilhosamente positivos e hilários. Por causa disso, as coisas só parecem ficar maiores [para ele].

“Cara!” ele exclama, conforme o tópico de viajar ao redor do país continua e a inevitável discussão sobre viagem de ônibus surge. “Tem um que para em Bristol – se você comprá-la [a passagem] na hora certa, ela custa oito libras; é insano. Isso não cobre nem o custo da gasolina, certo? Eu não sei como eles estão se mantendo, deve ser para encobrir alguma coisa!” e a gargalhada contagiante retorna.

Nós estamos atentos, George está atento – Paradise pode estar em todo o tipo de coisa.


A matéria acima foi produzida e postada no site da revista Dork, bem como em sua edição de Abril de 2018, na área “Feature”. Ela é datada de 23 de Março de 2018 e não foi publicado o nome do jornalista responsável por ela. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento de fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

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George Ezra é confrontado ao vivo por ser um hóspede terrível

BBC©  |  Image taken from/ Imagem tirada de: Digital Spy

“Eu sou uma calamidade”

Qualquer um que esteja disposto a convidar o cantor e compositor George Ezra para ficar em sua casa, deve saber que sua mera presença traz alguns riscos.

O cantor de ‘Leaving It Up to You’ participou do [programa de televisão britânico] The One Show, no dia 28 de março deste ano, para falar sobre seu novo álbum Staying at Tamara’s. Contudo, a ocasião se transformou em uma espécie de interrogatório ao vivo, sobre ser um hóspede ruim. 

Os apresentadores Matt Baker e Alex Jones conversavam com George sobre como suas viagens pela Europa o levaram a gravar novas músicas, quando mencionaram sua viagem desastrosa à Ilha de Skye na Escócia

George começou a ficar desconfiadoquando Matt e Alex começaram a questioná-lo sobre o casal que o acolheu em sua casa, dizendo: “Eu meio que posso sentir que algo está acontecendo aqui!”

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Acontece que ele estava certo em suspeitar, já que o The One Show tinha na linha, o casal Diana e Alan, pronto para explicar de forma irreverente, como George se tornou um “problema agradável” para eles.

“Para ser bem justa com o pobre George, ele saiu para caminhar e voltou com um corte muito feio no dedo,” lembra Diana. “Nós o levamos para o hospital. Eles cuidaram dele e ele voltou todo enfaixado.”

O problema agradável não terminou por aí. Quando chegou a hora de George ir embora da Ilha de Skye, ele descobriu que havia perdido sua carteira e não tinha nenhum dinheiro.

“No dia que George estava partindo, ele percebeu que tinha perdido todos os seus cartões de crédito,” Diana explicou. “Sem sorte nenhuma. Felizmente, nós tínhamos nosso salário de férias, então, o demos ao George e, eventualmente, os correios acharam sua carteira.”

Neste ponto da conversa, um George envergonhado tinha enterrado a cabeça entre as mãos enquanto ria, admitindo que foi um hóspede dos infernos.

BBC©  |  Image taken from/ Imagem tirada de: Digital Spy

“Eu sou uma calamidade. Eles foram muito muito legais,” George brincou, antes de esclarecer: “Eu devolvi o salário de férias deles.”

Tudo termina bem quando acaba bem, e Diana foi rápida em ressaltar que não teve nenhum arrependimento em receber o cantor de ‘Budapest’ sob seu teto. Ainda que imaginemos que demorará um pouco para que ele seja convidado novamente


A matéria acima foi produzida e postada no site Digital Spy, em sua área de Televisão (TV). Ela é datada de 28 de Março de 2018 e foi escrita por Justin Harp, jornalista de entretenimento do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento de fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

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O garoto encontra o mundo

Image taken from/imagem obtida em: Ambient Light.

É George Ezra o cantor mais bonzinho do rock ‘n’ roll? Jonny Ensall parte em busca do lado mais selvagem do trovador nômade

São 10:30 da manhã e George Ezra está agitado. “Eu sou relativamente novo no mundo do café”, diz ele, com um grande sorriso atrevido estampado em seu rosto. “Mas você pode sobreviver por horas com essa coisa”. Ele tomou duas xícaras até agora, o louco. Como se planejado, uma música começa a tocar na rádio do estúdio no norte de Londres onde ele está sendo fotografado – ‘Walk on the Wild Side’ por Lou Reed.
  
Há uma pequena confusão sobre os figurinos, enquanto o fotógrafo se prepara para a sessão de fotos de Ezra para a NME. Estrela e estilista escolhem o casaco longo preto, tendo por acessório uma caneca branca comum. É um look que se inspira em Johnny Cash e no estagiário que traz o chá. Ezra encara as lentes com a contida indolência de alguém que sabe exatamente como um rockstar deve parecer ao segurar uma caneca em uma sessão de fotos. Quando, eventualmente, eu me aproximo [dele], percebo que – neste caso – a câmera não mente: sua pele é realmente muito lisa, quase sem poros; seu cabelo louro é realmente tão suave e fofo quanto um patinho. “Eu estou ligado”, ele diz. “Pergunte-me qualquer coisa!”

Ezra está sofrendo com um resfriado severo – me conta seu preocupado assessor. Mas onde outros de sua linha de trabalho lidam com drogas pesadas, ou simplesmente não comparecem à entrevistas, George está feliz em simplesmente pedir outro cappuccino e sentar para conversar. Eu quero perguntar para ele sobre sexo, drogas e rock ‘n’ roll, mas ele parece muito saudável para isso. E muito bem sucedido também. Depois do lançamento de seu álbum de estreia, ‘Wanted On Voyage’, em 2014, a carreira de Ezra alavancou de uma maneira chocante. Apenas Ed Sheeran e Sam Smith venderam mais do que ele naquele ano. “Não houve um ponto em que eu estivesse como: ‘Isso faz sentido,'” ele diz. “Faz sentido que as coisas não façam sentido, é o que eu aprendi.”

Então, em vez disso, eu pergunto a ele sobre viajar e seu mais novo álbum, ‘Staying at Tamara’s’, que levou quatro anos para aparecer. Em ‘Wanted On Voyage’, Ezra canalizou sua obsessão de infância por Bob Dylan com canções otimistas, baseadas em acordes de guitarra, que falam sobre amor, esforço juvenil e sonhos em cidades europeias distantes. Foi o som perfeito para embalar as férias de alguém nos seus 20 e poucos anos. Sobre o quê é este novo álbum, eu pergunto? “A temárica maior é escapismo,” ele diz, inclinando-se em minha direção. “Quando você está em turnê tem uma existência bonita, mas aí, é cuspido do outro lado e não há nada. Tudo o que eu podia contar com, era minha criatividade, e eu não sou alguém que consegue simplesmente acordar e escrever uma música.”

Contudo, isso é exatamente o que ele tentou fazer. Tendo passado dois anos inteiros em turnê com seu primeiro grande álbum, incluindo uma performance diurna no palco Pyramid do festival Glastonbury, para uma plateia imensa, Ezra caiu em um ciclo vicioso de assistir TV, mexer no celular e dormir cedo na casa de sua família, em Hertford, ele me conta. “Todo dia eu acordava tentando escrever. E todas as noites eu colocava minha cabeça no travesseiro e pensava: Eu tentei fazer algo hoje e falhei. Eu me sentia inútil.”

A cura para esse mal foi, como se vê, sair de férias nos seus 20 e poucos anos e ver alguns dos lugares, como Budapest e Barcelona, que ele havia escrito músicas sobre, mas nunca visitado devidamente. Em Barça, ele se escondeu em um barato e esquisito AirBnB, cheio de vinis antigos e artistas boêmios. “Foi uma viagem tão maravilhosa,” ele diz. “Eu pensei, George, não seria mais divertido se você fosse morar com um estranho? E foi.”

Esse estranho foi a Tamara, e a viagem – juntamente com outras escapadas para locais menos exóticos, incluindo uma fazendo de porcos em Norfolk e uma pousada na Ilha de Skye – deram a Ezra o que sua música precisava: tranquilidade. “Eu estava em uma cidade onde ninguém me conhecia, e não tinha compromissos. Eu levantava e andava por aí, preenchendo cadernos. Você é forçado a abordar seus pensamentos, não pode suprimí-los.”

“Ansiedade é o nome que encontrei para o que estava sentindo,” ele continua. “Em casa eu ia para a cama ás 11 em ponto, e as notícias mostravam algo acontecendo do outro lado do mundo. E eu começava a achar que não estava fazendo o suficiente. Mas o que você pode fazer? Está de pijamas em casa. É maior do que você. Você pode ser parte de alguma coisa, mas não está tudo sobre seus ombros. E foi a viagem a Barcelona que me fez pensar: ‘Po**a, você não precisa estar constantemente atento a tudo que está acontecendo.’”

Esse pensamento se transformou na canção, ‘Don’t Matter Now’ – primeiro single do ‘Staying at Tamara’s’. “Ás vezes você precisa estar sozinho,” ele canta com sua voz incorpada de barítono, sobre um riff ensolarado. “Fechar a porta, desligar o celular.”

“O que eu tento entender é se tudo isso que estou passando, não é por causa do mundo e eu, mas sim porque tenho 24 anos.” Como uma crise de meia-idade, eu sugiro? “Sim, tipo, eu não sou um menino, nem um homem. Sou algo no meio deles. O que você é, George? Um homem-menino? É assim que eu me sinto.” Quando você se tornará um homem, então? “Minha risada tem que parar antes que eu possa me chamar de homem. É muito engraçado.”

Com certeza, há algo juvenil em Ezra. Ele é o que sua tia chamaria de um jovem rapaz muito bom. Ele descreve sua música como “amigável”, o que consigo entender, já que passei a manhã inteira, sem perceber, assobiando o ritmo de ‘Budapest’ – uma canção tão calorosa e familiar que você poderia fazer chocolate quente a partir dela. Ele a compôs no final de sua adolescência, quando a vida era simples, e ele estava começando a gostar de estar na estrada. “Nas primeiras pequenas turnês, na parte de trás de uma van, quando você está tentando ganhar uma audiência,” ele lembra, “você se sente como se estivesse vivendo fora da lei. Você não está fazendo nada de errado, mas é algo como – ninguém se importa. Você é esta coisa durante a noite.”

E então eu percebo que Ezra fez tudo certo em sua carreira até agora. Ele desistiu da faculdade em Bristol mas conseguiu um contrato com a gravadora Columbia. Ele não apressou seu complicado segundo álbum. Tornou-se patrono de uma instituição de caridade sobre saúde mental, Mind. Onde está o excesso, eu pergunto? Onde estão as montanhas de cocaína? Onde está o sanitário de ouro? “Muita coisa depende de mim, em minhas apresentações,” ele considera, com tristeza. “É apenas maior do que eu, tudo.”

Esta, geralmente, é a parte da entrevista em que o rockstar começa a reclamar sobre como é difícil ser um rockstar, mas não há nada disso vindo de Ezra, que sabe que seus fãs acham que ele aparece para seus shows com apenas 10 minutos de antecedência, e o vêem como um trovador livre, não como o cara trabalhador de uma enorme empresa comercial: “Nossa indústria depende de tanta fumaça e espelhos, e eu gosto disso. Você não quer saber como a salsicha é feita.”

Do contrário, ele deposita sua energia nessa espécie de serviço de aconselhamento não-oficial para músicos extremamente bem-sucedidos, o qual foi inteligentemente desfarçado como uma série popular de podcasts que ele chama de George Ezra and Friends. Até agora, Ezra recebeu Ed Sheeran, Rag’n’Bone Man e o primeiro e único Craig David, para conversar sobre os altos e baixos do show business. Como são os convidados, eu pergunto?

Craig David é o cara mais otimista que eu já conheci. Ele tomou a liberdade de fazer um beatbox para mim – apenas eu e ele na sala. Foi perfeito. Por que não?” Essa foi a primeira vez (para Ezra – eu imagino que Craig David faça isso o tempo todo), mas há também um elo mais comum entre as conversas. “Sem exceção, as pessoas que entrevisto dizem:  ‘Eu amo o que faço. Claro, tive que perder funerais, casamentos, nascimentos… mas é um preço pequeno a pagar por ter o melhor emprego do mundo.’”

Como ele se sentiria se a grande aventura terminasse agora, eu me pergunto? E se ‘Staying at Tamara’s’ caísse mais rápido que o cabelo bem hidratado de Ezra? “Sinceramente, eu lidaria bem com isso. É muito mais fácil aceitar uma derrota quando você acredita no que fez.”

“Neste CD – e isso é meio que uma frase de m**da – eu fui mais sincero do que nunca. Não por causa de alguém, mas por mim mesmo. Acontece que eu estou apaixonado, e isso é algo maravilhoso para se escrever sobre.”

Apaixonado? Ezra já me contou sobre sua ex-namorada e “musa” para o primeiro álbum (“Quando eu estava tocando no palco Pyramid [Glastonbury], eu olhei para a plateia e a vi nos ombros de outro cara. Eu fiquei tipo, hmm…”). Onde ele conheceu sua atual? “Nós nos conhecemos em um festival, apenas de passagem. Estávamos na mesma cidade, e eu tentei minha sorte mandando uma mensagem para ela – ‘Gostaria de jantar comigo?’ – e eu acho que… é… ela veio. Sempre acontece quando você não está procurando companhia.”

“Eu não acho que você escreve uma canção de amor para alguém,” ele diz, quando eu pergunto se ela inspirou algumas das músicas românticas do álbum. “É mais você estando ciente do sentimento que eles te dão. Eu nunca fui do tipo, ‘senta aí, eu tenho algo para tocar para você – essa é para você’.”

Nós temos que terminar a conversa agora, porque Ezra está seguindo a agenda extremamente apertada e controlada de uma pessoa muito bem sucedida, e precisa estar em um carro, indo para algum lugar, e provavelmente tomando algum chá no caminho. Ele aperta minha mão firmemente, com outro sorriso de orelha a orelha e me deixa pensando sobre algumas linhas da canção ‘Pretty Shining People’ – a super animada abertura do ‘Staying at Tamara’s’ – a qual ele diz conter seu trecho favorito do álbum inteiro.

Nos revezamos em sonhar sobre a loteria / O que faríamos se tivéssemos comprado bilhetes e ganhado / Estamos ambos convencidos que nada teria mudado / Mas se esse fosse o caso, porque estamos tendo esta conversa então? / Estamos perdendo o tato?

Eu sinto como se tivesse acabado de conhecer alguém que ganhou em um tipo de loteria. E ele parece ter tato comigo.

George fala ainda sobre os melhores convidados que recebeu no George Ezra and Friends:

ED SHEERAN

“Algo que eu acho que já sabia sobre o Ed, mas que realmente ficou comigo depois de encontrar com ele, é que você nunca é bem-sucedido demais para trabalhar duro. A menos que você acorde e promova sua música, as pessoas não irão ouví-la.”

HANNAH REID (Vocalista do London Grammar)

“Hannah tem um grande entendimento sobre sí mesma e do que é necessário para se manter feliz e saudável. Eu acho que todos nós poderíamos ter um pouco mais disso.”

CRAIG DAVID

“Eu sempre me considerei uma pessoa moderadamente otimista, mas o Craig está em um nível completamente diferente. Ele me deu uma grande lição sobre ‘viver no momento’.”


A matéria acima foi produzida e postada no site da NME Magazine, em sua área de Música. Ela é datada de 16 de Março de 2018 e foi escrita por Jonny Ensall, jornalista musical do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento de fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

Matéria Original: Clique aqui.

George Ezra visita a instituição Nordoff Robins

Em Julho de 2018, George Ezra visitou a sede da instituição Nordoff Robins, focada em terapia musical para portadores de necessidades especiais. Durante sua visita, George acompanhou o jovem Ben em sua sessão de terapia. O vídeo na íntegra e legendado você pode acompanhar abaixo:

George Ezra lança clipe de “Hold My Girl”:

Um anúncio pegou os fãs de surpresa na tarde de ontem (25). George Ezra anunciou em seu Twitter que a canção “Hold My Girl” ganharia um clipe e que ele seria liberado hoje ás 8 da manhã, pelo horário britânico de verão.

Cumprindo a promessa, tivemos hoje, ás 4 da manhã pelo horário brasileiro, o lançamento do aguardado videoclipe e o resultado você pode conferir aqui:

No vídeo, George tenta se salvar de um ambiente inundado enquanto canta o single melodioso; o local é simples e rústico e nos remete à fazenda em Norfolk que George afirma ter se hospedado em seu período fora dos holofotes. “Hold My Girl” é a quarta música do “Staying at Tamara’s” a ganhar clipe. Ouça o álbum:

Assista: George Ezra na #BillboardLive

(Taken from / Obtida em: Billboard Live)

Nesta quarta-feira foi transmitido no Periscope da Billboard, uma pequena performance ao vivo do nosso querido George. Na qual ele canta seus sucessos e conversa um pouco em um clima bem descontraído. Você pode assistir no player abaixo:

 



O vídeo acima foi produzido e postado pela Billboard em seu twitter. Datada em 20 de Setembro de 2018. Esta postagem foi feita apenas para o deleite e entendimento dos fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta postagem, fazê-la com os devidos créditos.

George Ezra vê sua ex na plateia, em uma multidão de 80.000 pessoas:

Como isso aconteceu?

Imagine essa cena: você é um artista e foi contratado para tocar no palco Pyramid do famoso festival Glastonbury. O público presente é de exatamente 80.000 pessoas e mesmo assim, de alguma forma, você acaba vendo alguém na multidão que você não tinha ideia que estaria ali. Para George Ezra, isso foi realidade em 2015. E não foi qualquer conhecido que ele encontrou, foi sua ex namorada.

Conversando conosco em Hertfordshire, sua cidade natal, na bela área de Manor House que tem vista para o festival Standon Calling, George começa respondendo uma pergunta sobre o melhor momento de sua carreira até agora..

“É difícil escolher um melhor momento.” ele explica.

Nós demos algumas sugestões que pensamos que ele fosse escolher, incluindo seu primeiro single a atingir aposição das paradas no Reino Unido (“Shotgun“), abrir shows da turnê de Robert Plant, e seus dois álbuns número 1; contudo, ele escolheu outra coisa.

“Eu acho que provavelmente tocar no palco Pyramid do Glastonbury, porque para mim isso é a Copa do Mundo da música” ele diz. “Eu pensei em me aposentar depois disso, não dá para ficar melhor. Tudo fica abaixo, não importa o que aconteça.”

Mas a lembrança não acabou aí.

“Aquele ano foi simplesmente louco. E sabe qual foi a coisa mais doida?” ele pergunta. “Tinham 80.000 pessoas lá, naquele dia, e a única razão pela qual digo isso é para te dar um pouco de contexto. Eu não tinha nem cantado a primeira palavra da primeira música e vi minha ex-namorada na plateia.”

Uma parceria inusitada, George precisou voltar a si bem rápido.

“Eu tive que dizer a mim mesmo, ‘George, tem algo mais urgente aqui. Você precisa pensar nisso como a última das suas preocupações.’ E foi ótimo, o show foi brilhante. Mas foi tipo, como isso foi acontecer?”

“Eu acho que a encontrei depois porque ela estava trabalhando em um food truck com alguns amigos meus, eles estavam todos lá.”


A matéria acima foi produzida e postada no site JOE, em sua área de Música. Ela é datada de 30 de Julho de 2018 e foi escrita por Will Lavin, jornalista do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento dos fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

Entrevista Original: Clique aqui.

George Ezra sobre sua saúde mental: ‘Ed Sheeran recomendou que eu me livrasse do meu celular’

(Image taken from/Imagem obtida em: Pinterest)

 

 

O cantor que é sucesso nas paradas diz que foi ‘abafado pela ansiedade

Em 2014, George Ezra estava em todos os lugares, quando estourou no cenário musical com seu hit Budapest. Sua voz grave e seu dedilhado jovial na guitarra ecoaram em lojas, cafés e bares. Naquele ano, apenas Ed Sheeran e Sam Smith venderam mais no Reino Unido do que o álbum de estreia de Ezra, Wanted on Voyage. Enquanto isso, Budapest entrou no top 10 de 11 países europeus.

Quatro anos depois, ele continua um pouco atrás do seu “inspirador” amigo Sheeran – que é agora um superstar convicto graças ao enorme sucesso de Divide em 2017. “Eu passo cinco minutos me convencendo de que adoraria ter o nível dele de notoriedade,” diz Ezra, tomando café em um pub no oeste de Londres. “E então penso no impacto que isso teria e não sei se fui feito para isso.”

Caso a fama global venha ao encontro de Ezra, Sheeran ofereceu alguns conselhos – “Ele recomendou que eu me livrasse do meu celular. Ed [só] tem um iPad e checa seus e-mails quando quer, depois, [o aparelho] entra em modo avião.” Contudo, Ezra continua não convencido, “Eu não lutaria contra [o sucesso] se este viesse até mim, mas eu gosto de ser o mainstream azarão.” Contudo, se você pode ser considerado um azarão tendo um álbum com 1,2 milhão de cópias vendidas, é um ponto discutível.

Vestindo jeans, uma camisa xadrez e jaqueta bomber, com seu penteado desgrenhado e jogado para o lado, Ezra, assim como Sheeran, é uma pessoa discreta. Caminhando pela Shepherd’s Bush, onde mora, ele diz que é fácil quando você ficou fora dos olhos do público por um tempo. “A verdade é que, se você não está em movimento agora, consegue se esconder nas sombras.”

Contudo, ele está prestes a ser mais reconhecido. Em Março ocorre o lançamento de seu segundo álbum Staying at Tamara’s, para o qual seu single Paradise é um excelente pontapé inicial: uma mistura de guitarras eufóricas e pulsantes com uma voz doce e açucarada que parece ter sido feita para espantar o desânimo de inverno de vez. “Grandes acordes e refrões chiclete: é isso que eu sou,” afirma ele confiantemente – ainda que prometa que haverão “músicas mais obscuras” em seu novo álbum, baseadas em momentos mais difíceis da sua vida.

Ezra parece ser um admirador da Europa. Seu primeiro álbum foi inspirado em uma viagem ao redor do continente, e, determinado a mudar seu humor, George foi para Barcelona em 2016 por um mês, para escrever; lá, reservou um Airbnb, cuja dona era Tamara, que inspirou o título de seu segundo álbum.

Após ter escrito uma carta de amor para a cidade em Wanted on Voyage, e mesmo interessado em construir um relacionamento com Barcelona, ele é o primeiro a admitir que os catalães não compartilham do seu entusiasmo pela capital deles, como os húngaros o fazem com Budapeste. “Eu nunca vendi discos em Barcelona, ninguém me conhece”, ele ri. “Enquanto que me surpreende o quanto os húngaros gostam de Budapeste”. De fato, a história do single de Ezra e do início da sua carreira são atualmente umas das informações disponíveis no site da Agência de Turismo Húngara.

Para esse álbum, a inspiração para escrever foi extraída de dois lugares principais: Seus problemas com a saúde mental acima mencionado, e seu relacionamento de três anos com sua namorada. “Nós nos conhecemos no final no último álbum”, disse. “Eu queria ser honesto no disco, e isso significava falar sobre ela”.

Hoje em dia, apesar das dificuldades nos últimos anos, a sorte parece estar sorrindo de novo para Ezra: Relacionamento à parte, ele comprou sua própria casa em Shepherd’s Bush, embora frequentemente se sinta mal por seus amigos terem que lidar com o aumento no preço dos aluguéis e uma situação de moradia que ele descreve como “Insana”. “Eu tenho que lembrar para mim mesmo que eu não sou uma má pessoa por estar onde eu estou”, ele diz.

Ainda que tenha crescido com uma situação financeira confortável, ele está inconformado com a forma como a indústria musical se tornou uma esfera da classe média que só cresce. “Isso não faz sentido. É do interesse de todos estarmos disponíveis uns para os outros. Ninguém quer ser um homem rico em uma cidade pobre. Isso não faz sentido. O legal é viver em algum lugar onde você tem uma sensação de igualdade e de possibilidade para as pessoas”.

Com Staying at Tamara’s, um retorno para a agenda agitada de Ezra de 2015 parece provável. Ele também está gravando uma série de podcasts com o título de “George Ezra & Friends”, no qual o cantor entrevistou personalidades como Sheeran, London Grammar e Craig David sobre os bastidores da indústria. “Ed foi um dos primeiros”, conta Ezra. “Ele me contou que o talento é parte disso, mas que não é o mais importante, o mais importante é o foco.”

Alguns podem discordar, claro. Críticos da atualidade reclamam que falta nos jovens músicos uma certa sensação de choque e temor; notavelmente, Bono [do U2], que recentemente declarou de forma controversa de que a música “ficou muito feminina”. Contudo, ele não tem interesse em produzir drama. Ele conta que: “Para ser provocativo você tem que ser honesto; as pessoas sabem quando algo é verdadeiro ou não, e a verdade é que eu não tenho nada a reclamar sobre minha infância e adolescência. Eu me apaixonei por algo e posso viver disso hoje. Eu ouço muitos falando que as pessoas não são mais barulhentas, turbulentas ou opinativas, mas essas coisas vão e vem e eu não sei se me importo se as pessoas estão opinando ou não”.

O que ele acha interessante sobre o cenário musical de hoje é a maneira em que, na era digital democrática, o livro de regras sobre como ter sucesso foi rasgado. Ele chama isso de “Vibração do Oeste Selvagem”, em que ideias alternativas, como seus podcasts, são cruciais. “Não há especialistas, ninguém para perguntar ‘Cara, como eu faço isso?’ Isso é bom para a indústria.”

Ainda assim, é uma aposta bastante segura que Staying At Tamara’s terá sucesso nas paradas, tendo em vista suas músicas com refrões cativantes e que são claramente adequadas a festivais ao pôr do sol. Mas não duvide de ambição dele: Vendas de lado, receber prêmios em reconhecimento a este álbum, seria bom, diz Ezra. Ele gostaria de uma indicação ao Mercury Prize, “mas um Ivor Novello seria incrível. Isso me deixaria emocionado.”

George Ezra é um apoiador da Mind, entidade sem fins lucrativos em prol da saúde mental: www.mind.org.uk

 


A matéria acima foi produzida e postada no site do The Telegraph, em sua área de Cultura e Música. Ela é datada de 22 de Janeiro de 2018 e foi escrita por Matt Allen, jornalista do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento dos fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

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George Ezra: “Estou tentando descobrir quem eu sou e o que é importante para mim”

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Image taken from/imagem obtida em: The Wideo. Photographer/Fotógrafo: Findlay Macdonald

O cantor está em primeiro lugar nas paradas com “o som do verão” Shotgun, mas ano passado sua carreira chegou perto de acabar – e ele diz que foi a melhor coisa que aconteceu com ele.

Pop Stars caminham entre nós mais do que podemos imaginar, graças a bonés e óculos escuros. Mas a versão de George Ezra do clássico disfarce é mais prática – um chapéu caqui com abas largas de uma companhia de produtos esportivos, combinado com um par de óculos escuros, com armação estilo camuflagem que ele conseguiu em um posto de gasolina – contudo, estiloso não é. Na realidade, com a sua camiseta branca da NASA, a combinação faz ele parecer o avatar do Twitter de um homem que retweeta Piers Morgan. “As pessoas olham para mim”, ele admite, enquanto nos sentamos no café perto da sua casa no leste de Londres, “mas só por que eu pareço horrível”.

São 10:30 e hoje Ezra, de 25 anos, está em uma correria de compromissos pelas rádios Magic, Absolute, Radio 1 e Radio 2. O disfarce valerá a pena já que iremos a pé e por transporte público. “Se você não se importar”, Ezra sugeriu, “Eu acho que vou de ônibus hoje”.

Normalmente, um artista multi-platina viajando com um jornalista desta maneira, faria isso para provar o quão humilde ele é, apesar de todos os álbuns número um de vendas (Ezra tem dois, incluindo Staying at Tamara’s, álbum novo de maior vendas de 2018) e os singles no topo de paradas (seu último, Shotgun, é tão certo de estar na primeira posição no dia seguinte, que ele até já organizou um churrasco da vitória para os seus amigos em Hertfordshire). Mas nesse caso, assim como a alça de pescoço balançando do chapéu de Ezra, parece que a questão é a praticidade.

Em posição de destaque na Edição N° 94 [do The Guardian], Ezra reflete sobre a quase-confirmada ascensão de Shotgun à primeira posição das paradas. Sua predecessora, a efervescente Paradise lançada em Janeiro deste ano, foi um grande sucesso, mas ano passado sua carreira chegou perto de acabar. Em Junho do ano passado, seguindo o lançamento do terceiro álbum mais bem vendido de 2014, Wanted on Voyage, Ezra estava pronto para retornar e lançar seu novo single Don’t Matter Now. É difícil, na era do streaming, definir o que exatamente constitui um hit, mas também é difícil ver positivamente uma música que fica duas semanas no top 70, o ponto alto Don’t Matter Now de nas paradas.

Isso foi o contrário do que aconteceu com o primeiro single de Ezra, Budapest, que o lançou para o estrelato apesar de ser originalmente lançada de graça: Don’t Matter Now flopou. “A música recebeu muito apoio da mídia”, diz Ezra. “As pessoas só não queriam ouvi-la”.

Tivemos uma reunião de emergência – “e só por que eu insisti” – na gravadora de George, a Columbia. “Nós podemos ser totalmente honestos sobre o que está acontecendo?” ele perguntou na sala. Foi sugerido que o álbum, previsto para o final de 2017, fosse adiado para 2018. “Eu disse: ‘Não perderemos o momento?’ Alguém se levantou e falou: ‘Não existe porra nenhuma de momento’” O álbum foi adiado.

Esse episódio forçou Ezra a reavaliar sua abordagem “tanto faz” para o sucesso: Ele nem sabia que a votação para o BBC Sound of… existia até que foi indicado nela, e em uma entrevista ele afirmara que não se importava se sua carreira durasse 2 ou 12 anos.“Eu não quero soar como a frase motivacional na parede da sala da direção do ensino fundamental, mas Don’t Matter Now flopar foi a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Eu percebi o quanto eu não estava levando [a carreira] a sério”.

Ele viu o que é o fracasso e, para ser sincero, não gostou muito. Ele começou até a pensar em carreiras alternativas “Uma coisa é ter um single que não funciona, mas dois em seguida é um sinal do fim.” e ele continua “Quando estávamos lançando Paradise, eu falei, em voz alta: ‘Eu vou dar tudo que eu tenho’”.

Paradise foi uma música pop escrita de forma tão firme, tão sabiamente estruturada, que pareceu o tipo de sucesso de multi-compositores que artistas de grandes gravadoras tiram da cartola quando estão no aperto; de fato, foi o primeiro single que Ezra escreveu sozinho (a maior parte de suas músicas foram coescritas com Joel Pott). Então foi superjustificado quando o single se tornou o mais bem posicionado nas paradas até então, ocupando o lugar número 2.

Chegamos então no QG da Bauer Radio, casa da Absolute e da Magic, onde Ezra realiza uma pequena apresentação para os ganhadores de uma competição. Depois disso, ele conta que algumas vezes dá ao público o que ele chama de “uma noite com George Ezra”, onde ele entra totalmente no modo “contador de histórias”. Às vezes funciona, ele conta, e às vezes não; de todo jeito, ele se destaca de artistas que você poderia dizer que são da mesma “vibe” que ele, como os também ex-alunos da BIMM Tom Odell e James Bay – por que seu papo é tão envolvente quanto suas músicas.

O desejo de mostrar personalidade se estendeu a coisas como um vídeo promocional de merchandising online tão estranho que garantiu a Ezra um lugar no Vic & Bob’s Big Night Out. Ainda tem seu podcast, onde ele bate um papo com artistas incluindo Elton John e Ed Sheeran.

“Se você zuou a si mesmo, ninguém mais poderá te zoar” Ezra pondera “Mas não é uma coisa que você pode forçar ou recriar. Outro dia, alguém da gravadora me ligou dizendo: ‘‘O que você acha de tuitar ao vivo o programa Love Island?” e eu fiquei tipo: ‘‘Er, eu tenho muito o que fazer’”.

Não que Ezra não seja avesso à ideia de que um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar. Seu álbum de estreia foi principalmente baseado em suas viagens internacionais; A narrativa principal do Staying at Tamara’s é sobre ele indo sozinho para Barcelona, onde o Airbnb no qual ficou se revelou um antro de criatividade boemia. Não o preocupa que ele necessite se inserir em situações para que a criatividade surja? Ele tem que inventar situações para seu pop estruturado na realidade por que ele realmente não tem nada a dizer?

É mais uma questão de se colocar em lugares onde até ideias mundanas parecem interessantes, Ezra explica. Mas parece possível que a necessidade de aventuras e sua abordagem “pegue ou largue” a respeito da ambição, tenha raízes na sua criação confortável e segura, na semi-rural Hertfordshire. Ele nunca sentiu necessidade de escapar. Ou como ele coloca: “Eu nunca tive grandes sonhos quando criança. Eu era tão feliz que não precisava deles.”

Com Ezra disfarçado de novo, voltamos pela Soho em direção à BBC, e falamos um pouco mais sobre sua infância. O drama principal parece ter sido o estirão de crescimento na adolescência que levou-o a ter má postura (“Tudo que eu queria era não me destacar”) isso ainda afeta sua postura até hoje. Ele não acredita que tenha sido influenciado negativamente pelo divórcio de seus pais, ambos professores, quando ele tinha 14: “Pela primeira vez, eu os vi como humanos, com sua própria merda acontecendo – me fez extremamente bem.” Nada de delinquência juvenil? “Bom,” ele diz. “Quando criança eu costumava correr por campos de trigo…” Então, tem algo a mais em George Ezra além do que podemos ver? “Eu também estou tentando saber a resposta para essa pergunta”, ele admite. “Eu não sou um garoto e não sou um homem.”

Ezra diz que começou a questionar tudo isso desde que entrou para uma indústria que fetichiza o gênio torturado. “Isso costumava passar pela minha cabeça assim que comecei na música: Eu posso pelo menos admitir que eu tive uma adolescência ruim?” Eu me pergunto se a confusão que várias pessoas têm na adolescência é a mesma que estou experimentando agora. Eu estou tentando descobrir quem eu sou e entender o que é importante para mim. É exaustivo.”

Entre as idades de 21 e 23, Ezra experimentou o que ele descreve de “um agudo sentimento de inutilidade”. Ele não se deu conta durante a promoção de seu primeiro álbum – apesar dele ter pensado muito nisso desde então – de que durante todo esse período, ele estava se escondendo em camarins e áreas de backstage, relutante em encontrar seus próprios fãs. “Eu ficava pensando: ‘eu posso ficar no meu cantinho seguro no camarim, logo, não tenho que confrontar nada, logo, nada aconteceu’.” Então veio o onipotente desastre político e cultural que foi 2016. “Pareceu que qualquer coisa que poderia ter dado errado deu errado – pareceu o mundo errado para se estar se você é sensível. Ninguém na minha vida, amigos ou família ou a mídia, tinha alguma resposta.”

Ezra também sabia que tinha que compôr seu segundo álbum, mas isso não estava acontecendo. Ele caiu no padrão habitual de pensamentos que ele descreve “como uma cobra comendo a si mesma”. A vida sem estrutura de um Pop Star entre álbuns não ajudou. “Eu programaria o despertador, acordaria, desceria as escadas para escrever, nada vinha, então eu só fazia coisas sem sentido. Eu limpava a casa. Todo santo dia. Eu inventava coisas para fazer. Listas de coisas que não precisavam existir.”

Ficar na Tamara, em Barcelona, acabou por ajudar na criatividade e no reajuste mental que ele estava procurando, e os padrões de pensamento que o incomodavam começaram a se dissipar. Ele fica receoso em gerar manchetes “Meu inferno de ansiedade”, parcialmente porque houve algumas nos últimos meses, e ele ficou surpreso (“Eu era ou ignorante ou inocente”) em como a mídia pulou de cabeça no jeito que ele discutiu saúde mental. E parcialmente por que ele sabe que, no geral, sua experiência não foi grave e que a solução foi bem simples. “Mas mesmo quando as pessoas que passam por menos, ainda é alguma coisa”, ele explica. Então, quando o instituto sem fins lucrativos em prol de saúde mental Mind perguntou se ele consideraria ser um embaixador, ele disse que sim.

Depois de um breve papo ao vivo com Greg James da Radio 1, no qual Shotgun se tornou um divertido hino de futebol, Ezra teve sua foto tirada para o site da Official Charts [responsável pelos dados oficiais das paradas de sucesso britânicas], sugerindo sua posição de número um quase que certa. Quando nos falamos alguns dias depois, Shotgun está no topo das paradas. Ezra liga enquanto está andando até a farmácia, atrás de alguns comprimidos para febre alta. Sim, ele confirma, ele está usando seu chapéu horroroso e seus óculos. Depois que nos separamos na BBC, ele assistiu à partida da Inglaterra em um trem de volta para Hertford; a noite terminou com uma sessão inesperada no porão dele, tocando covers do Dylan com seu pai e seus amigos até 1 da manhã.

Já o churrasco comemorativo na sexta à noite – Bom, esse foi uma desordem. “O ângulo olhe-para-mim-eu-sou-o-número-um não funcionou de acordo com o plano,” ele admite. “Um amigo levantou o copo e disse, ‘Parabéns ao George por ser o número 1,’ mas aí outro falou, ‘Pera aí, você já não foi número 1 antes?’ E eu respondi, ‘Não, esse foi meu álbum.’ Então eles falaram: ‘Isso não é melhor que um single? São 12 músicas, não uma’ e eu disse: ‘Bom, mais ou menos, mais um single é mais difícil,’ e então o momento já tinha passado e eu tive que mudar de assunto.”

Eles acabaram jogando baralho, depois acenderam uma lanterna de papel – mas Ezra vetou que a soltassem: o clima quente deixou o campo seco e ele não queria ser responsável por um incêndio. Apesar disso, a comida desceu bem. Ele até preparou uma salada. E no momento exato em que ele soube que era com certeza o número 1, ele relembra um breve momento de clareza. “Só durou um segundo, então sumiu, mas tudo fazia sentido,” ele diz.

“Pareceu surreal. E foi engraçado, Você tem que rir, não é?”


A matéria acima foi produzida e postada no site do The Guardian, em sua área de Cultura e Música. Ela é datada de 06 de Julho de 2018 e foi escrita por Peter Robinson, jornalista do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento de fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

Entrevista Original: Clique aqui.

George Ezra Mudou de Opinião Sobre os Três Leões*?

(Taken from/Obtida em: G1 | Divulgação)

Antes da perda da Inglaterra para a Croácia na Copa, George Ezra postou um vídeo no Twitter pedindo aos fãs para comprarem e ouvirem o hino nacional da Inglaterra, a fim de que este tirasse sua própria música do topo das paradas.

No vídeo, George dizia que era maravilhoso que sua canção, Shotgun, estivesse na primeira posição por duas semanas mas que “eu acho que está na hora de tirá-la do topo com o hino dos Três Leões.”

Contudo, logo após a derrota inglesa, ele não estava mais tão certo disso, contando ao Sky News: “Generosidade tem seu limite. Estou tranquilo, nós veremos (o resultado do próximo jogo)… O fato de que eu fiquei em primeiro lugar por uma semana, ainda mais duas, é simplesmente louco.”

Sendo um entusiasmado fã de futebol, ele está tentando se manter otimista mesmo após a perda na semi-final: “Cheguei num ponto onde eu não estava muito feliz na noite passada, mas a coisa que mais animou em tudo isso foi o torneio como um todo, me lembrando que a cada quatro anos ele faz todos se unirem.

Ele continuou então, descrevendo a edição deste ano como “tão divertida porque havia uma certa calma no ar… Para mim pessoalmente, foi legal usar a bandeira de St. George novamente e me sentir confiante sobre isso.”

Ezra também contou ao Sky News que escrever uma música-tema para a seleção “só é fácil se você acertar.”

Ele não tem certeza de que escreveria uma algum dia, dizendo: “É tão difícil – é como uma música natalina. Só é fácil se você acertar.”

O pop star admitiu que algo menos difícil são suas exigências em turnê, confirmando que estas geralmente consistem simplesmente em uma chaleira, limão e mel.

Mas, completou: “Frustrantemente, eu acabo dando alguns ataques, porque a chaleira geralmente não está lá.”

Quando o assunto é lidar com o sucesso repentino, ele afirma: “Quando você está no meio dessa situação, é difícil absorver tudo, e minhas folgas são tão preciosas para mim porque são poucas e muito espaçadas… De imediato eu vou ver meus amigos e nada muda muito.”

O novo álbum do Ezra está à venda.


*Nota da Tradução: Três Leões refere-se ao apelido pelo qual a Seleção Inglesa de Futebol é chamada, e faz referência ao brasão dos três leões que caracteriza seu uniforme.

A matéria acima foi produzida e postada no site da Sky News, em sua área de Entretenimento. Ela é datada de 12 de Julho de 2018 e foi escrita por Bethany Minelle, jornalista de entretenimento do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento de fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

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