George Ezra sobre sua saúde mental: ‘Ed Sheeran recomendou que eu me livrasse do meu celular’

(Image taken from/Imagem obtida em: Pinterest)

 

 

O cantor que é sucesso nas paradas diz que foi ‘abafado pela ansiedade

Em 2014, George Ezra estava em todos os lugares, quando estourou no cenário musical com seu hit Budapest. Sua voz grave e seu dedilhado jovial na guitarra ecoaram em lojas, cafés e bares. Naquele ano, apenas Ed Sheeran e Sam Smith venderam mais no Reino Unido do que o álbum de estreia de Ezra, Wanted on Voyage. Enquanto isso, Budapest entrou no top 10 de 11 países europeus.

Quatro anos depois, ele continua um pouco atrás do seu “inspirador” amigo Sheeran – que é agora um superstar convicto graças ao enorme sucesso de Divide em 2017. “Eu passo cinco minutos me convencendo de que adoraria ter o nível dele de notoriedade,” diz Ezra, tomando café em um pub no oeste de Londres. “E então penso no impacto que isso teria e não sei se fui feito para isso.”

Caso a fama global venha ao encontro de Ezra, Sheeran ofereceu alguns conselhos – “Ele recomendou que eu me livrasse do meu celular. Ed [só] tem um iPad e checa seus e-mails quando quer, depois, [o aparelho] entra em modo avião.” Contudo, Ezra continua não convencido, “Eu não lutaria contra [o sucesso] se este viesse até mim, mas eu gosto de ser o mainstream azarão.” Contudo, se você pode ser considerado um azarão tendo um álbum com 1,2 milhão de cópias vendidas, é um ponto discutível.

Vestindo jeans, uma camisa xadrez e jaqueta bomber, com seu penteado desgrenhado e jogado para o lado, Ezra, assim como Sheeran, é uma pessoa discreta. Caminhando pela Shepherd’s Bush, onde mora, ele diz que é fácil quando você ficou fora dos olhos do público por um tempo. “A verdade é que, se você não está em movimento agora, consegue se esconder nas sombras.”

Contudo, ele está prestes a ser mais reconhecido. Em Março ocorre o lançamento de seu segundo álbum Staying at Tamara’s, para o qual seu single Paradise é um excelente pontapé inicial: uma mistura de guitarras eufóricas e pulsantes com uma voz doce e açucarada que parece ter sido feita para espantar o desânimo de inverno de vez. “Grandes acordes e refrões chiclete: é isso que eu sou,” afirma ele confiantemente – ainda que prometa que haverão “músicas mais obscuras” em seu novo álbum, baseadas em momentos mais difíceis da sua vida.

Ezra parece ser um admirador da Europa. Seu primeiro álbum foi inspirado em uma viagem ao redor do continente, e, determinado a mudar seu humor, George foi para Barcelona em 2016 por um mês, para escrever; lá, reservou um Airbnb, cuja dona era Tamara, que inspirou o título de seu segundo álbum.

Após ter escrito uma carta de amor para a cidade em Wanted on Voyage, e mesmo interessado em construir um relacionamento com Barcelona, ele é o primeiro a admitir que os catalães não compartilham do seu entusiasmo pela capital deles, como os húngaros o fazem com Budapeste. “Eu nunca vendi discos em Barcelona, ninguém me conhece”, ele ri. “Enquanto que me surpreende o quanto os húngaros gostam de Budapeste”. De fato, a história do single de Ezra e do início da sua carreira são atualmente umas das informações disponíveis no site da Agência de Turismo Húngara.

Para esse álbum, a inspiração para escrever foi extraída de dois lugares principais: Seus problemas com a saúde mental acima mencionado, e seu relacionamento de três anos com sua namorada. “Nós nos conhecemos no final no último álbum”, disse. “Eu queria ser honesto no disco, e isso significava falar sobre ela”.

Hoje em dia, apesar das dificuldades nos últimos anos, a sorte parece estar sorrindo de novo para Ezra: Relacionamento à parte, ele comprou sua própria casa em Shepherd’s Bush, embora frequentemente se sinta mal por seus amigos terem que lidar com o aumento no preço dos aluguéis e uma situação de moradia que ele descreve como “Insana”. “Eu tenho que lembrar para mim mesmo que eu não sou uma má pessoa por estar onde eu estou”, ele diz.

Ainda que tenha crescido com uma situação financeira confortável, ele está inconformado com a forma como a indústria musical se tornou uma esfera da classe média que só cresce. “Isso não faz sentido. É do interesse de todos estarmos disponíveis uns para os outros. Ninguém quer ser um homem rico em uma cidade pobre. Isso não faz sentido. O legal é viver em algum lugar onde você tem uma sensação de igualdade e de possibilidade para as pessoas”.

Com Staying at Tamara’s, um retorno para a agenda agitada de Ezra de 2015 parece provável. Ele também está gravando uma série de podcasts com o título de “George Ezra & Friends”, no qual o cantor entrevistou personalidades como Sheeran, London Grammar e Craig David sobre os bastidores da indústria. “Ed foi um dos primeiros”, conta Ezra. “Ele me contou que o talento é parte disso, mas que não é o mais importante, o mais importante é o foco.”

Alguns podem discordar, claro. Críticos da atualidade reclamam que falta nos jovens músicos uma certa sensação de choque e temor; notavelmente, Bono [do U2], que recentemente declarou de forma controversa de que a música “ficou muito feminina”. Contudo, ele não tem interesse em produzir drama. Ele conta que: “Para ser provocativo você tem que ser honesto; as pessoas sabem quando algo é verdadeiro ou não, e a verdade é que eu não tenho nada a reclamar sobre minha infância e adolescência. Eu me apaixonei por algo e posso viver disso hoje. Eu ouço muitos falando que as pessoas não são mais barulhentas, turbulentas ou opinativas, mas essas coisas vão e vem e eu não sei se me importo se as pessoas estão opinando ou não”.

O que ele acha interessante sobre o cenário musical de hoje é a maneira em que, na era digital democrática, o livro de regras sobre como ter sucesso foi rasgado. Ele chama isso de “Vibração do Oeste Selvagem”, em que ideias alternativas, como seus podcasts, são cruciais. “Não há especialistas, ninguém para perguntar ‘Cara, como eu faço isso?’ Isso é bom para a indústria.”

Ainda assim, é uma aposta bastante segura que Staying At Tamara’s terá sucesso nas paradas, tendo em vista suas músicas com refrões cativantes e que são claramente adequadas a festivais ao pôr do sol. Mas não duvide de ambição dele: Vendas de lado, receber prêmios em reconhecimento a este álbum, seria bom, diz Ezra. Ele gostaria de uma indicação ao Mercury Prize, “mas um Ivor Novello seria incrível. Isso me deixaria emocionado.”

George Ezra é um apoiador da Mind, entidade sem fins lucrativos em prol da saúde mental: www.mind.org.uk

 


A matéria acima foi produzida e postada no site do The Telegraph, em sua área de Cultura e Música. Ela é datada de 22 de Janeiro de 2018 e foi escrita por Matt Allen, jornalista do site. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento dos fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

Matéria Original: Clique aqui.


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *