George Ezra diz: “Meu pensamento foi, ‘que se f*da!'”

Source/Fonte: Press.

O novo álbum de George Ezra, mostra o cantor jogando a cautela pela janela. 

“Agora, bem aqui,” diz George Ezra, falando com o sotaque distinto da Louisiana. “É incríiiiiiiveeel!” Não, esta não é uma nova reviravolta chocante no próximo capítulo de sua já célebre carreira, e sim o resultado de George ter passado o fim de semana anterior ocupado, na S-Town, o venerado podcast que ganhou o público rapidamente. Este é o George Ezra em 2018, um homem que consegue balancear a altura desconcertante de seu estrelato, com a habilidade de parar por um momento, colocar a cabeça fora do redemoinho e absorver simplesmente o fato de estar vivo.

“Sabe, é tão bom estar ocupado novamente,” explica George, com um brilho em seus olhos, agora que está de volta aos trilhos e se preparando para um ano agitado. “É uma m*rda quando você não pode contribuir de alguma forma, sabe? Me sinto bem em estar fazendo “minha coisa” de novo. Alguém me disse um dia desses, eu estava promovendo [minha música] na Alemanha, e esse cara disse, ‘Você está sempre feliz. Sempre que eu te vejo, você está feliz.’ E eu fiquei tipo, amigo… Eu estou na Alemanha falando sobre música. É fantástico!”

Com os palcos enormes e milhões [de pessoas] cantando junto suas músicas do ‘Wanted On Voyage’, os anos seguintes foram uma jornada de descobrimento para George, marcados por uma agenda de turnê contínua, compromissos e aparições, e venda de mais CDs do que a maioria dos artistas mostrados nesta página, combinados. O que veio a seguir, no entanto, foi uma miríade de momentos diferentesque moldaram onde ele se mantém hoje.

“Meu maior medo no primeiro álbum era o efeito que ele teria em minha vida pessoal,” destaca George, refletindo sobre como ele se sentiu quando as coisas realmente deslancharam. “Quando você está montando um CD, tudo o que vem com isso, faz com que você tenha esse sentimento de ser uma celebridade moderada, mas você nunca fica muito tempo em um mesmo local para que isso te afete, e então você também não está em casa. 

“Isso era o que mais me preocupava, mas correu tudo bem. A questão é, você não é um criminoso,” ele ri. “Ninguém vai te puxar de lado e dizer, ‘Ei, que po*ra é essa que você tá fazendo?’ Eles irão dizer eu adoro seu trabalho, sem ter ideia de quem você seja; ou eles saberão quem você é mas não falarão com você, porque não gostam do seu trabalhoeu não tive com o que me preocupar, na verdade.”

Sair da estrada, contudo, teve seus efeitos colaterais. De repente com um caderno em branco, pela primeira vez em dois anos e pouco, ajustarse ao mundo real de novo foi um desafio. Pela primeira vez em sua vida, George experimentou um sentimento de ansiedade, ainda que ele não soubesse exatamente como descrevê-lo.

“Eu fui extremamente sortudo na minha experiência com isso, porque a detectei bem cedo e estava consciente da existência dela. Aquela combinação de não ter mais compromissos, ou um motivo, e simplesmente coisas diversas acontecendo ao meu redor, como acontece com todo mundo. Eu pensei, eu não sei o que isso é, porquê me sinto da forma que me sinto – parte de mim está, provavelmente, se acostumando com o fim da turnê e com colocar aquele primeiro álbum para dormir, mas com certeza havia algo a mais do que isso.”

É um momento que parece encapsulado em uma canção como ‘Get Away’,  um single cintilante, que ocupa lugar de destaque no novo álbum ‘Staying at Tamara’s’. ‘Nunca foi assim antes / desligado pela ansiedade / nunca foi assim antes / é melhor você fugir’ ela repete, e é exatamente o que George fez. Partir para Barcelona foi um movimento vital, e uma decisão que não apenas deu forma ao álbum vindouro, mas ao próximo passo da vida de George.

“Foi muito importante eu ter feito isso. A coisa boa sobre passar um tempo sozinho e sair da sua zona de conforto, é que você se força a pensar de uma forma que não pensaria normalmente. Você diminui a velocidade, então eu continuava tendo aventuras, mas indo mais devagar. Quando você está cercado de pessoas que conhece e ama, se sente menos presente, porque está muito confortável. Quando você está com pessoas que são novas para você e [ouve] novos sons, até mesmo coisas bobas como a moeda local, idioma e clima – isso te ajuda a ser mais consciente do que está fazendo, e isso realmente me ajudou,” explica George.

Fazendo anotações no papel, que tornaram-se composições, observações, desenhos e mais – “É um diário adolescente, uma parte com poesia, outra com nomes de canções, realidade e ficção juntas – se alguém o lesse, seria embaraçoso.” – ele escolheu viver ativamente aquelas palavras, conduzindo-se a um novo terreno, o que o levou à porta da frente de uma mulher chamada Tamara.

“No primeiro CD, eu escrevia e ficava na casa de promoters ou na de algum estudante depois que eu me apresentava, mas eu nunca fiz isso da forma correta,” relembra George, “e houve muito menos necessidade de eu fazer isso desta vez. Eu poderia ter ficado em um hotel ou apartamento, mas meu pensamento foibem, meu pensamento foi, f*da-se! Se [lá] for uma loucura no sentido ruim da palavra, eu posso ir embora, mas também pode ser maravilhoso. Mesmo se eles apenas viverem vidas normais e forem capazes de me indicar lugares que são bons para comer e os que não são, esse já será um toque especial.”

Mas foi muito melhor que isso. “Havia vinis por toda parte, e seus amigos eram músicos, artistas e designers, estavam na moda, e lá o tempo todo. Eu não sei o que é, mas há uma forma diferente de viver por lá, e isso me fez extremamente bem. Eles saíam muito e trabalhavam de segunda á sextafeira, então eu normalmente me envolvia no vinho tinto antes deles saírem,” riu George, “mas eu li muito, andei pelos arredores de dia e de noite e sei lá – você se sente seguro lá.”

Contemplar as coisas positivas do mundo e encontrar alegria em se desligar dele, é um sentimento que ecoa por todo o álbum. Vendo a vida em 2018 por uma perspectiva completamente diferente, ‘Staying At Tamara’s’ nos fornece aqueles momentos maravilhosos – encontrar um novo amor, aprender como se aceitar e sonhar com algo a mais. É um passo confiante e reforçado que George dá, levando os contos sinceros do seu debut e acendendo o pavio para uma exibição de fogos de artifício cada vez maior.

O otimismo reina supremo, seja no coletivo da alegria ‘Pretty Shining People’, no vanglória despreocupada de ‘Don’t Matter Now’, nas vibrações de pop-surf que emanam de ‘All My Love’ ou no papo-cabeça de esperança de ‘Only A Human’ – este é um álbum totalmente sobre colocar fé na pessoa que está ao seu lado. Uma declaração que George deve ter pensado do início ao fim, certo?

Uma risada reconhecível imediatamente surge. “Eu acho, eu não tinha ideia, na verdade,” ele ri. “O que eu sabia é que gostava de tocar na frente das pessoasenquanto que escrevendo o primeiro, eu não sabia realmente como era estar no palco principal e ter pessoas cantando comigo. Desta vez eu estava como, ‘Isso é bom pra c*ralho’ e eu quero isso. A energia compartilhada quandomilhares, cantando junto, em um local. Se você está na música pop, então precisa haver, ou pelo eu gosto de teresse elemento de camaradagem – [de] vamos nos unir e cantar juntos.” 

Combinando sua viagem fundamental à Barcelona com paradas em Norfolk, Cornwall e Cotswolds à diversão no estúdio de gravação, o álbum soa como se tivesse sido feito à partir do encontro de vários amigos em um espaço. “Com o primeiro CD, eu estava obsecado com sons sintéticos,” destaca George. “Tipo, mesmo com ‘Budapest’, nós fomos fundo no baixo e com ‘Did You Hear The Rainacabamos tendo um loop de didgeridoo – foi aquele momento de se soltar no estúdio pela primeira vez e ficar tipo, f*da-se, nós podemos fazer qualquer coisa. Desta vez, depois de tocar por dois anos com a banda, eu estava a fim de ter instrumentos mais tradicionais e/ou acústicos no álbum. Ainda tem alguns sons diferenteseu acho que sempre amarei isso, mas em um grau menor.”

Do início ao fim, ‘Staying At Tamara’s‘ é um álbum que sabe o que quer alcançar: que você pegue seus amigos, desconhecidos, e os puxe para perto, fazendo vocês cantarem junto mesmo se esta for sua primeira vez ouvindo-o. Pegue por exemplo ‘Hold My Girl’, uma canção que parece destinada a ser tocada várias e várias vezes em casamentos e ser repetida em rádios de todo o mundo – ela tem um sentimento caloroso e acolhedor que George capturou de suas viagens ao redor do globo. Sair da zona de conforto e se permitir tentar coisas novas, é a filosofia de vida que George segue. “Eu recomendo para todo mundo,” ele insiste. “Eu sou tão ruim [nisso] quanto os outros. Você precisa de tempo e separar um dinheiro para isso, mas é algo maravilhoso de se fazer.

Agora, com experiência em seu bolso, sabendo o que o mundo pode jogar nele mas com uma sede insaciável por fazer mais – o próximo passo de George Ezra já está sendo pensado, com diversão não-filtrada. “Todos nós funcionamos tão melhor quando temos um propósito, não importa qual seja,” nota ele. “Eu sei o que esperar agora, enquanto no primeiro álbum, tem vezes que você se sente um pouco assustado sob os holofotes; mas eu não entendo quando bandas e músicos ficam mal-humorados, eu fico tipo… você está viajando pelo mundo, cara!

“Sim, você sente falta da sua família, e perde alguns eventos da vida ás vezes – eu perdi casamentos e funerais e todo tipo de acontecimento, mas não é por nenhuma outra razão. Eu amo isso. É necessário que se tenha um balanço, mas é maravilhoso.”

Por vezes, nós não precisamos nos unir contra o mundo – mas celebrar sua beleza pura. George Ezra está fazendo questão de posicionar sua cabeça à favor da brisa, para saborear seus “absurdos”, maravilhosamente positivos e hilários. Por causa disso, as coisas só parecem ficar maiores [para ele].

“Cara!” ele exclama, conforme o tópico de viajar ao redor do país continua e a inevitável discussão sobre viagem de ônibus surge. “Tem um que para em Bristol – se você comprá-la [a passagem] na hora certa, ela custa oito libras; é insano. Isso não cobre nem o custo da gasolina, certo? Eu não sei como eles estão se mantendo, deve ser para encobrir alguma coisa!” e a gargalhada contagiante retorna.

Nós estamos atentos, George está atento – Paradise pode estar em todo o tipo de coisa.


A matéria acima foi produzida e postada no site da revista Dork, bem como em sua edição de Abril de 2018, na área “Feature”. Ela é datada de 23 de Março de 2018 e não foi publicado o nome do jornalista responsável por ela. Esta tradução foi feita apenas para o deleite e entendimento de fãs brasileiros do George Ezra e não tem nenhum fim lucrativo. Por favor, se reutilizar esta tradução, fazê-la com os devidos créditos.

Matéria Original: Clique aqui.


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